Unitopolis 2 Investigation tendency

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Texto escrito pelo nosso amigo Vaaz (post original).

Olá personas tudo bom? Primeiramente desejar um feliz aniversario para esse tracker maravilhoso, que “uni” (hehe trocadalho do carilho) tantas pessoas, e lolicons (que não podem ser considerados pessoas). 
É bizarro pensar que soltei a primeira parte dessa loucura ano passado nessa mesma data… Bem anyway, aqui estamos, terei que separar esse unitopolis em duas ou três partes para não ficar arrastado e dar aquele gostinho que querer mais no final.
Agradeço a ajuda das pessoas que sacrificaram seus olhos ao lerem minha escrita na velocidade da luz, LeilE. Luffão, e Arashe. Lembrando comentem suas partes favoritas e o que acharam no final, obrigado por lerem. 
Quem não leu o primeiro >UNITÓPOLIS< leiam, n vai fazer mais sentido pq nada faz sentido, mas, já vai estar introduzido no mundo.

Capítulo 1 Fria Unitópolis

A noite é fria, o completo oposto do dia. Neblina se espalha por toda a cidade, tornando-a fúnebre e macabra.

É a hora mais movimentada de Unitópolis. Os cidadãos estão em toda a parte do centro, alguns voltando do trabalho, alguns estão saindo para fazer quaisquer coisas. Eu, Vaaz, sou um observador, antigamente eu era apenas um julgador impulsivo, mesmo eu tendo mudado, há uma coisa que ainda desprezo com todas as minhas forças, o Ecchi, não precisarei me explicar. Esta cidade está mudando, pessoas novas chegam o tempo todo. Algumas eu consigo até confiar, mas sempre tem os que eu desconfio.

O homem é alto. Usa uma camisa roxa por cima de uma camiseta verde com o colarinho alto e um sobretudo branco longo por cima. Sua calça é igualmente branca, sustentada por dois cinturões finos, estampados em uma fileira de triângulos de cores alternando em verde e laranja, a parte do punho do sobretudo apresenta igualmente o mesmo desenho de triângulos e usa sapatos sociais azuis. Em sua cabeça uma viseira branca com a aba longa, não dá para entender onde a viseira acaba e onde os cabelos negros começam, fazendo um visual como se os dois estivessem fundidos.Na parte da testa de sua viseira, há duas formas feitas de metal dourado, um“J” e uma palma dentro de um coração.

Essa cidade já era bizarra o suficiente, mas então, há quase um ano atrás, um sujeito do futuro apareceu, nada foi resolvido, como tudo nessa cidade, mas graças a isso o que já era estranho o suficiente piorou,guerras começaram a acontecer por todo o mundo, algumas pessoas dessa cidade foram convocadas para participarem dessas guerras, algumas nós não vemos desde então, nem mesmo notícias sobre elas. Ano passado enquanto eu estava sendo disciplinado, toda essa loucura do viajante aconteceu, no meio disso um dos seguidores da Punch que estava carregando um pôster de HOTD foi ardiloso o suficiente para escapar de mim e, quanto mais eu procuro sobre essa pessoa, mais coisas podres do mundo dos adoradores de lewd eu descubro, já resolvi vários casos que achei acidentalmente, mas quanto mais o tempo passa, mais eu sinto que essa cidade está se corrompendo, algo está poluindo esta cidade, e eu não vou parar até eu mat-… Até que eu os entregue para as autoridades.

Há um tempo venho descobrindo mais sobre algo como uma máfia distribuidora de mercadorias lewds, tenho que descobrir mais sobre urgentemente.

Então Vaaz finalmente chega a seu destino, em um prédio de dois andares, onde o primeiro andar é uma loja de televisores, que está fechada pelo horário. À esquerda há uma entrada com uma escada para o segundo andar, quando ele sobe, na porta tem uma placa de madeira escrito “Escritório UniOtaku”, antes de colocar a mão da maçaneta,sente uma aura com muita sede de sangue atrás da porta e então começa a falar:

 — Sou eu! Guarde as adagas. — E então gira a maçaneta e entra no apartamento.

No momento que eu entro vejo as duas figuras que tentam manter a comunidade da UniOtaku organizada. À minha frente uma mulher guardando suas duas adagas nas bainhas em suas costas. Seu cabelo estava loiro e levantado, mas lentamente volta ao normal de vermelho sangue e longo. Leili está com roupas diferentes das da última vez, agora seu colete é branco com o tecido mais maleável que o couro da última roupa, com detalhes em vermelho e calça preta.

— Eu só quero matar alguém, já faz muito tempo. — Ela fala com um certo desespero e tristeza.

A pessoa atrás, do outro lado do apartamento, sentada em um computador, é o Detona, com suas roupas de motoqueiro e com uma corrente na vertical enrolada em seu tronco. E seu crânio único, que é apenas uma caveira pegando fogo, mas exaurido, então sua chama está clara e baixa. Apenas levanta um pouco a mão para me cumprimentar. Logo depois Leili desaba em um puff no canto do apartamento.

— Pelo jeito a falta de pessoal está corroendo vocês, ou melhor, a falta de pessoal útil.

— Ah, conseguiu perceber? –Leili fala com um alto tom de sarcasmo. –Depois que o Kitamura saiu, deu para perceber o quão desesperador é a situação da nossa organização. O Tensai só aparece quando quer, o Luffy sumiu desde o ano passado.

— E o Teclado? – Vaaz fala com muita dúvida.

Leili então abre os olhos que estavam fechados de cansaço e depois de uma longa suspirada volta a falar:

– Até esqueci que ele era moderador. –Coloca a mão na cabeça após perceber o quão confuso está a situação.

Tudo fica em um silêncio muito esquisito, então começo a olhar em volta. As chamas da cabeça do Detona estão completamente apagadas, é assim que ele fica quando dorme e ele está dormindo sentado. Então olho pra Leili novamente e ela nesse pouco tempo já dormiu com a cabeça apoiada na mão,mas novamente a aura de sede de sangue aumenta e ela acorda com muita raiva.

— Então, por que você está aqui? Não é como se fosse vir aqui só para nos visitar.

— Estou procurando alguém que saiba mais sobre isso.—Estendo um papel para ela. É um documento, sobre algumas informações da máfia de lewds. —Estou procurando eles, para entregá-los às autoridades.

Detona se assusta, acorda e começa a falar todo enrolado:

— Vaaz, quer comprar uma caneta? – Ele segura quatro canetas de cores diferentes, onde a parte de cima é uma cabeça de gatinho, cada uma com ma expressão fofinha. Mas logo depois cai no chão e volta a dormir.

— Tensai, apareça. —Leili solta praticamente um rugido e depois de alguns segundos uma sombra começa a crescer na parede do apartamento.

Demora mais do que das outras vezes para o Tensai sair, até ele está com roupas diferentes, praticamente um ninja, sem nenhuma parte de seu corpo à mostra, ele está usando uma máscara preta com adornos na cor cinza, um sobretudo preto com golas altas, cobrindo do pescoço até as pernas, onde está com protetores de canela pretas e sapatos normais igualmente pretos. Tensai é um dos antigos da comunidade, ele sofre muito de uma doença.

Leili dá o papel para ele e volta a desabar no puff.

— Comprei algumas figures desses caras uma vez… Quero dizer, o Daisuke me recomendou uma vez, procure ele “Sarabada”– Então ele retorna novamente para a sombra e some.

A doença crônica que ele sofre se chama: Ser antissocial e ao extremo.

Tenho agora que achar o velhote, a forma mais simples é procurar o atual líder dos lolicons. Estou vendo que esse vai ser um longo dia.

Capítulo 2 A dupla de doentes

A lua já está no ponto mais alto do céu, as ruas estão menos movimentadas, agora apenas os jovens andam por aí, bêbados e cheios de pensamentos burros. Eu querendo ou não chamo muita atenção, o que é o oposto do que eu desejo nesse momento, ando por muito e muito tempo, cada vez que me aproximo do centro a poluição auditiva aumenta. Não gosto desse lugar e com certeza as pessoas daqui não gostam de mim. Após atravessar as ruas cheias de iluminação e barulhos, chego na parte das pensões, estou à procura de um velho amigo, que já faz muito tempo que alguém o vê. Algo de ruim pode ter acontecido com ele, ainda mais agora sabendo que o conhecido dele, o Daisuke, está envolvido.

No segundo andar de uma pensão caindo aos pedaços eu bato em uma porta, mas nada acontece, olho pela única janela da parte da frente do apartamento e nem um sinal de vida. Então bato novamente mais forte, na terceira batida, minha mão atravessa a madeira podre da porta. Vai ter um prejuízo,mas pelo menos foi barulho o suficiente para um sinal de vida aparecer dentro do apartamento.

Uma silhueta de uma pessoa magra com um cabelo longo aparece,eu por um minuto me preocupo se estou no apartamento errado, então a porta abre e eu vejo que estou no lugar certo. A pessoa abre a porta lentamente com muito medo do que está acontecendo, então ele me vê e fico imediatamente com cara de nojo e então eu imediatamente me distancio uns três passos.

Shinta está com cabelo muito longo sem o menor tipo de cuidado, apenas deixou crescer por preguiça, uma barba falha está por todo seu rosto, olheiras imensas e o mais bizarro, todo seu corpo é magro, menos seu braço direito, que está tão musculoso quando o meu. Junto com ele, da porta sai uma formiga do tamanho de um chihuahua, arrastando um pernilongo do mesmo tamanho. Tudo nesse lugar está muito, muito estranho.

— Vaaz? —Sua voz falha, sabe-se lá quanto tempo ele não fala com alguém.

— Sim sou eu, preciso de tua ajuda agora! Te dou vinte minutos para se arrumar, vá rápido.

Shinta sai tropeçando em tudo, ele é um dos poucos que tem bom senso, em acreditar imediatamente no que eu falo. Então eu saio e espero numa praça na frente da pensão.

Após trinta minutos, Shinta chega no parque.

— Desculpa, me atrasei!

— Eu já sabia, você sempre se atrasa, por isso falei vinte minutos. Preciso que você me ajude a encontrar o Daisuke, ou melhor, você conhece algo sobre isso?

— Por incrível que pareça, eu não conheço tanto, só ouvi do Daisuke também, eu te ajudo a encontrá-lo, eu sei onde ele mora e já consigo imaginar seu objetivo também e se eu tentar te parar só vou me ferrar, então,bora!

Ele começa a andar antes mesmo que eu fale alguma coisa,então me levanto do banco que estou sentado e começo a seguir ele. Não andamos por muito tempo e chegamos. Em um condomínio, eu reconheço esse condomínio porque já tinha visto ele em algum lugar, então me lembro.

— Não é aqui que o Teclado mora também?

— Sim, mas os dois estão brigados.

— Como assim? O Daisuke e o Teclado?

— Recentemente depois do Qwerty queimar o tronco em forma de “X” enquanto cozinhava, ele começou a se achar, e do nada, enquanto o Daisuke estava alheio falando sobre política ele chegou para começar uma discussão, é algo que está além da minha concepção. E recentemente ele está cada vez mais caduco, a última coisa que eu ouvi dele é que cinco da manhã ele saiu da casa dele e ficou falando sozinho no meio do condomínio— Ele dá de ombros e aperta o interfone do condomínio.

Demora alguns bons minutos e depois de várias tentativas, há uma resposta.

— Alô? –Uma voz fraca, rouca e ranzinza começa a sair do interfone.

— Ossan, preciso de sua ajuda com algo podre de seu feitio.

Demora alguns segundos para ele me responder, talvez tentando se acalmar para não ter um ataque cardíaco. Eu gosto de irritá-lo e já sei a sua resposta.

— Primeiramente, Ossan é teu rabo.

Eu e Shinta gargalhamos, mas sem apertar o interfone para ele não nos ouvir.

— E a uma da manhã? Vocês têm que dormir cedo para acordar cedo. E eu só vou se tiver algo a ver com lolis ou lewd.

Eu não tinha pensado, se eu falar para o Daisuke que eu planejo acabar com a máfia de lewds ele não irá me ajudar. Ainda sem apertar o interfone eu viro para o Shinta.

— Vamos falar que eu estou te ajudando para comprar esse tipo de coisa podre. Ele só vai nos atrapalhar se souber do meu real motivo.

— Like!

Após apertar, o Shinta que continua a falar:

— Estou precisando da sua ajuda para achar aquela máfia de lewds que você me recomendou outro dia. Ou seja, tem isso envolvido.

— Agora estão falando minha língua, vou me arrumar e ajudo vocês, mas vou avisando para comprar algo deles vocês têm que falar com o líder deles e ele atualmente está em um lugar de gala. — Imediatamente desliga o interfone.

— Tem algum plano para caso esse tipo de coisa acontecesse?

— Não tinha até agora, mas já pensei em como entrar nesse lugar mesmo que seja de difícil acesso. Tenho um contado cheio de contatos.

Não demora muito para o Daisuke aparecer no portão do condomínio, estranho já que os idosos são sempre lentos. Logo quando ele chega,sua careca chama atenção, já que reflete a luz da lua. Uma grande barba completamente branca e óculos de sol que ele usa mesmo de noite. Nas suas costas um casco de tartaruga roxa, ele é baixinho e suas pernas fracas são meio encurvadas, por isso uma bengala. Com sua camiseta de havaiano e uma bermuda branca.

— Loli noite! —Shinta o cumprimenta da mesma maneira eu apenas olho com decepção. — Como vão as irmãs de vocês? —Ele levanta as sobrancelhas brancas dele várias vezes.

— Quero saber como vocês vão entrar no hotel da família do Tohka-nee-chan. — Daisuke fala enquanto caminha calmamente

— Agora complicou, mas creio que mesmo assim essa pessoa deve ter algum tipo de convite, vamos ter que ir no bar do Aracraud. Ele é um dos antigos da cidade. É onde o Reia passa a maior parte do tempo jogando.

— Nós vamos em um lugar de gala para ir em outro lugar de gala? — Shinta olha para sua roupa e para a roupa do Daisuke.

— Eu falei para vocês se arrumarem, pensei que essas eram as melhores roupas de vocês.

— Faz sentido, só vamos.

Quanto mais tempo passa mais longo parece que esse dia vai ser, só espero não passar o tempo todo com essa dupla de doentes.

Capítulo 3 Bar do Aracraud.

Tivemos que andar o caminho todo para o centro novamente, só que agora temos que ir para um lugar ainda mais barulhento da cidade, o centro convencional só não é mais irritante que o lugar que estamos indo, o círculo dourado é o bairro dos cassinos, festas de gente rica, etc. A cor dourada está exposta por toda a parte, para de alguma maneira esses babacas parecerem mais vazios do que já são. No caso, só eu penso nisso, já que a dupla de doentes me seguindo ficam babando para qualquer mulher, carros e objetos de luxo que apareçam na nossa visão.

— Então, criança sem barba, onde estamos indo? — Daisuke fala isso para mim tentando me irritar. – Não que eu esteja desgostando desse lugar,eu estou amando isso aqui.

— Estamos indo para o bar do Aracraud, ou seja, aqui. — Eu abro uma porta saloon, do melhor estilo velho oeste.

Quando entramos vemos o lugar, aporta pode passar uma impressão de algo rústico, mas por dentro é tudo luxuoso,com luzes por todo o lugar, mesas de todos os tipos de jogos de azar espalhadas por um salão gigante, tudo é decorado com madeira fina e a cor dourada que tanto me irrita. Ao fundo disso tudo, um grande balcão com cinco bartenders,que servem para as garçonetes vestindo roupas de coelhinho, para embebedar as pessoas jogando, para gastarem mais dinheiro. Pessoas de alta classe sorriem como se estivessem em um teatro, enquanto ganham dinheiro de outras pessoas ricas que, mesmo perdendo, sorriem, eu não consigo entender esse lugar.

Nem entramos direito e o Daisuke já se perdeu tentando atacar alguma garçonete. Shinta fica com medo de tudo aqui e fica apenas tentando se esconder a uns metros de mim.

Enquanto andamos, pessoas vão saindo do meu caminho assustadas, só não sou maior que os seguranças do local,isso facilita muito minha vida, após pouco tempo eu vejo a pessoa que viemos procurar. Ele está de pé, com duas lindas mulheres ao seu lado, veste um casaco de pele como capa, que é obviamente muito caro e usa uns óculos escuros. Eu realmente não entendo por que usar óculos escuros à noite, mas quem sou eu para falar algo? Ando com uma viseira de noite. Ele também usa um terno que parece ser tão caro quanto o casaco. Pega dois dados e coloca na frente na boca de uma das mulheres, para ela assoprar os dados. Então ele os joga na mesa e com o barulho que fazem ele com certeza acertou os números que queria, então um cara aleatório grita:

— Rei Anúbis em ação!

Já sabia que seria fácil de encontrá-lo.Ele me percebe rapidamente, não preciso explicar o porquê. Ele ergue a taça de Martine que está segurando como um comprimento e bebe rapidamente, então vem em minha direção cumprimentando praticamente todos que ele encontra, então chega à minha frente:

— Olá meu velho amigo, a que devo a honra? — Ele se curva como uma pessoa da realeza.

— Já sabes que sou direto, eu preciso da sua ajuda, ou melhor, um favor. Preciso de uma entrada para o prédio principal da família Tohka. E vim até você porque o Tohka está de férias, ele não atende ninguém.

— Como sempre, sem conversa fiada. Se eu te ajudar, o que eu ganho com isso?

— Vou ficar lhe devendo uma. — Não vacilo nem um segundo, mantenho o olhar firme, qualquer coisa em falsa eu posso perder essa oportunidade.

— É algo justo, vindo de você eu sei que até mataria alguém como troca de favores, mas isso não é divertido.Vamos fazer assim, eu lhe desafio para um jogo de bebidas, se você ganhar eu entrego o convite.

Eu fico pálido na hora e tudo fica em silêncio no salão. Todas as pessoas olham para nós dois, Shinta que está do meu lado fica olhando para nós dois freneticamente sem entender nada do que está acontecendo. Então tudo volta ao normal, as pessoas voltam a jogar e fazer barulho.

Eu levanto minha mão como sinal para ele esperar e me viro para o Shinta:

— Vá procurar o Daisuke e fique preparado, se eu sair do controle chame o Hijikata-san ou a Leili e o mais importante, não me deixe fazer nada sozinho até você ter certeza que estou sóbrio. — Eu falo isso enquanto o chacoalho. — Longa história resumida: Demora um pouco para a bebida fazer efeito em mim, mas quando faz, eu fico sem controle, ou eu viro um retardado tipo o Ton ou eu começo a brigar com todo mundo. Essa é a maneira mais rápida para conseguir o convite, vou ter que fazer isso. Agora vai e se apresse.

Shinta sai tropicando em tudo novamente. Me viro para o Rei Anúbis e aceito o desafio.

Nos sentamos em uma mesa retangular de apenas duas cadeiras, cada um em uma ponta, eu e ele colocamos nossos casacos na cadeira, eu retiro minha viseira e coloco no canto da mesa, as pessoas veem o Rei Anúbis e começam a vir assistir. Passo a mão no cabelo para ele ficar para trás, preciso de toda minha concentração para esse momento, ele não sabe que sou fraco com álcool e também não sei se ele é bom com bebidas. Ele estala os dedos e novamente todo o salão fica em silêncio e rapidamente duas garçonetes chegam, cada uma com uma bandeja, ambas com uma pirâmide de bebidas,colocam na mesa e fazem um movimento sincronizado, ambas piscam com um dos olhos para nós dois e se viram. Reia manda um beijo para uma delas. Enquanto eu tento permanecer calmo com a pirâmide de bebidas na minha frente.

Um bartender chega, ao que parece, ele vai ser o juiz desse desafio.

— As regras são: A pessoa que desmaiar, vomitar, desistir ou agredir alguém, perde. Se nada disso acontecer,vence a pessoa que acabar a pirâmide primeiro.

Rei Anúbis está muito confiante, eu estou tentando manter a compostura fria. O silêncio continua enquanto o bartender está anotando algo em seu bloco de notas.

— Comecem! — Ele grita e levanta uma das mãos com um pano.

A tensão aumenta muito,todos estão nos olhando, nenhum de nós nem sequer se mexe por alguns segundos e ficamos nos desafiando com olhares, eu começo a suar, todo o clima está mais pesado e desafiador que eu pensava. Em momentos normais eu esperaria ele começar, mas não tenho tempo. Quando eu estico o braço rapidamente ele estica também, o olhar de desafio se torna de ódio, ninguém quer perder desde o começo. Então bebemos ao mesmo tempo, o tempo para, é como se lava misturada com ácido estivesse derretendo minha boca. Por esse breve momento eu me desespero, em pensar que só eu estou tendo dificuldades com isso, então o tempo volta a correr.

Todos em volta não estão nem mesmo respirando, esperando para o que vai acontecer. E então eu e Reia cuspimos com toda a força nas pessoas do nosso lado que estavam ansiosas esperando para o que ia acontecer. O silêncio tenso agora é um silêncio constrangedor, nenhum de nós dois conseguimos aguentar a primeira dose, todo mundo está nos julgando, para quebrar esse constrangimento em uníssono gritamos:

— Mas que merda é essa?

— Ah, mil perdões. Esquecemos de avisar que as bebidas das apostas agora são feitas para se tornarem as mais fortes para que os desafios não demorem muito.

Essa informação me deixa por um segundo desesperado, mas vendo como o Reia reagiu à bebida, já sei que irei vencer, eu cuspi a bebida nas pessoas por que não estou acostumado com esse tipo de coisa. Mas ele está, bebeu aquela taça de Martini com facilidade, eu posso ficar descontrolado depois de um tempo, mas se esse desafio não durar muito, eu venço.

— Agora que vocês estão preparados, segunda dose!

Eu fiz a mesma coisa, mas ele ter reagido daquela maneira a essa bebida, foi a sua perdição. As pessoas voltam com a atenção toda em nós, até as que tomaram um banho. Para não sentirmos o gosto, bebemos rapidamente, ajuda pouco, não esperávamos pelo coquetel molotov, que cairia em nossos estômagos. Mas continuamos da mesma maneira, com a força do ódio eu consigo me manter bebendo. Depois de seis doses nós praticamente somos inimigos mortais, eu desejo que ele morra e com certeza,ele deseja isso para mim também.

Ele solta uma gargalhada olhando para cima, então volta a me encarar, um sorriso de escárnio e arrogância preenche seu rosto, eu volto a ficar desesperado, será que tudo isso foi uma encenação para que eu pensasse que eu estava vencendo? Eu olho em volta, as pessoas estão felizes, isso já deve ter acontecido antes nesse local. Esta situação não é boa, eu já estou ficando tonto, não vai demorar muito para eu ficar descontrolado, essa bebida era pior que eu pensava e ele é mais resistente que eu pensava também.

Em longos segundos de desespero, cada um dos olhos dele vai para um lado oposto. Todos se assustam. E então ele começa a vomitar arco-íris. Eu venci, de certa maneira.

— O vencedor é Vaaz!

Todos em volta começam a gritar, eu tenho que sair logo desse lugar antes que eu comece a socar a cara desses babacas, eu pego meu casaco e viseira, e vou até o Reia, as pessoas começam a se aglomerar em minha frente, minha raiva começa a aparecer e começo a tirar pessoas da minha frente como se fossem bonecos de pano. Rei Anúbis está de joelhos vomitando arco-íris no chão. E ele levanta um dos braços com um papel.

— Pode ir você ganhou de mim.

Eu pego e saio correndo para a saída, novamente tirando as pessoas do meu caminho, demoro um pouco, mas vejo o Shinta e o Daisuke tentando, sem sucesso, azarar duas garçonetes, as pessoas começam a lotar o lugar, como se fossem o mar e eu tentando lutar contra acorrente, para não ser puxado para baixo ou ser levado pela correnteza e a dor de cabeça explode de uma única vez, sabia que isso iria acontecer depois de um tempo, mas graças à bebida estranha, é como se atirassem uma bigorna na minha cabeça. Levanto a dupla de doentes pela camisa como se fossem brinquedos e continuo correndo até a saída.

— Vaaz? — Shinta parece terse lembrado só agora o que ele devia ter feito, enquanto é carregado como um pedaço de pano por mim.

Logo após passar da porta eu não consigo aguentar, começo a vomitar em cor de arco-íris como um chafariz da minha boca, que faz um arco no ar e cai na cabeça de um anão a uns dez metros à nossa frente.

— Um Leprechaun! — Daisuke grita enquanto gargalha e bate nas pernas finas de um idoso.

O anão olha para mim enquanto ainda estou vomitando e tenta me atacar, eu já estou descontrolado eu dou um soco nele enquanto grito:

— Dora!

O coitado do anão voa alguns metros até se chocar em uma parede, uma menininha com cabelo tigela, uma mochila rosa e um macaco. Falando:

— O que foi amiguinho?

— Não se preocupe não foi nada.

— Okay, amiguinho. — Seus traços do rosto ficam fortes, do macaco ao seu lado igualmente, então ele começa a ficar transparente e some atrás da garota.

Então ambos saem correndo e somem.

— Vaaz você está falando com quem? — Shinta me pergunta com um certo medo.

— Eu estou muito louco jovem ganhafoto!

Capítulo 4 Torre dos Tohka

Todo o mundo gira, como se estivesse sendo usado para uma batalha de beyblades, às vezes vejo Shinta e Daisuke, às vezes vejo o bar, então o chão beija meu rosto, um beijo frio e com muita força, não entendo como cheguei a ficar tão íntimo dele, então começo ame debater.

Vendo a cena ridícula do gigante completamente bêbado, as duplas de doentes começam a debater.

Precisamos carregá-lo, certo? —Shinta quebra o silêncio constrangedor.

— Eu não vou carregar isso! —Daisuke aponta com raiva para Vaaz.

Vaaz é quase o dobro do tamanho dos dois e com certeza eles não têm força para carregar o monte de músculos bêbado.

— Okay, vai chamar um táxi enquanto espero para ver se o Vaaz não faz alguma loucura.

— Vai você, é jovem, eu sou só um velho, me deixe aqui e vá. — Daisuke começa lentamente a andar para dentro do bar novamente.

— Você não vai vigiar o bêbado. Se for, te dou alguma action figure.     

Daisuke então vira nos calcanhares e começa a caminhar alegremente e rapidamente, para uma pessoa da sua idade, procurando um táxi.

— Depois falam que idosos são pessoas boas e honestas.

— Eu já falei para não confiar em lolicons, principalmente nesse. — Vaaz fala num tom alto, mais alto que o natural da sua voz grave e de maneira preguiçosa, quase engolindo sílabas.E volta a se debater no chão.

— Sim, sim, se acalme, já vamos ir atrás da máfia lewd, então não comece a ficar bravo, por favor.

— Me larga! — Vaaz fala enquanto se levanta sem usar os braços como se alguém estivesse o levantando, mas não tem ninguém ali.

Então ele fica parado em pé, seu rosto se esconde na sombra de sua viseira.

— DIO! — Grita por alguns segundos.

Shinta se distancia alguns passos.

— Você não está ouvindo,Shinta? O miserável gritando “Wryyy” na escuridão? — Vaaz começa a se aproximar com passos firmes e com muito ódio de Shinta.

— É a segunda vez que você ouve ou fala com alguém que não existe, você só está bêbado. — Shinta fica tão aliviado quando um táxi para perto dos dois com o Daisuke acenando com um sorriso de velho pervertido. —Isso! Dio está no banco de trás daquele táxi, pegue-o.

Vaaz só fica visível por alguns segundos, então desaparece e vira um borrão branco, que se choca com a porta de trás do taxi a atravessando e fazendo o táxi quase virar. Shinta corre até o táxi para ver o que aconteceu e o gigante está desmaiado dentro do táxi, junto com o motorista e Daisuke,catatônicos com o que acabou de acontecer, Shinta empurra Vaaz até ele conseguir entrar no táxi.

— Para a torre Tohka, agora!

O motorista, aterrorizado, não pensa duas vezes antes de acelerar o carro como um motorista de corrida profissional e instantaneamente no rádio do carro começa a tocar Deja Vu. O carro sem porta sai em alta velocidade pela cidade,parecendo apenas um rastro de poeira nas ruas.

Alguns minutos se passam sem ninguém falar nada sobre o que está acontecendo, como se esse tempo fosse algo raro, onde todos que estão acordados estão exaustos, sem falar nada, continuam por alguns segundos como se algo maluco fosse acontecer. E eles estavam certos.

— Vou matá-los!—Vaaz acorda gritando e tentando sair do carro pelo vidro da frente.

Daisuke no banco da frente e Shinta no banco de trás, tentam segurá-lo para que não atrapalhe o motorista. Daisuke sem paciência começa a atacar Vaaz com a bengala de madeira, mas nem mesmo faz cócegas nele. Nessa confusão, Vaaz acidentalmente acerta uma cotovelada na cara de Shinta, que instantaneamente desmaia falando suas famosas palavras:

— Eu não sou lolicon, apenas quero admirar a vida em sua juventude! —Enquanto é jogado para fora do carro pelo buraco que antes havia uma porta. Justamente na parte do ápice da música Deja Vu.

Os Olhos do motorista ficam brancos, como se um espírito estivesse possuindo seu corpo. Daisuke por seu lado quase tem um ataque cardíaco com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. O carro que está em uma velocidade que é impossível de se chegar, gira em torno de si mesmo, em uma velocidade absurda, Shinta que estava no ar, sai pela porta esquerda e volta a entrar quando se choca com o vidro da porta direita, nocauteando Vaaz no processo.

Pouco tempo depois, no instante que a música acaba, eles chegam ao destino.

— Saiam do meu automóvel agora. Vou me demitir e virar piloto de corrida. — Enquanto chuta Daisuke para fora do carro.

Os três saem do carro, Vaaz desmaiado no chão, Shinta tentando se levantar e Daisuke quase tendo um infarto. Na frente da entrada da torre Tohka,não tem ninguém por perto, mas na calçada há várias e várias limusines. Daisuke vai falar com a recepção enquanto os dois tentam sair do chão.  Alguns minutos depois, Shinta acorda e vai para a recepção após ver Daisuke conversando com alguém.

—E depois você não sabe oque aconteceu, ele caiu —Daisuke solta uma alta gargalhada e Shinta fica olhando entendendo nada enquanto se aproxima.— Você não tem ideia de como que é viver cercado de jovens burros, que não sabem o que estão fazendo ou pior, com um gosto ruim e que são diferentes do seu, na minha época era diferente.

Shinta chega onde ele está conversando, é o primeiro andar, depois de passar por uma porta gigantesca automática ele vê o interior do local, tudo é feito de mármore, demonstrando o poder e a ostentação da família Tohka, que ninguém sabe como eles ganham dinheiro, é um dos vários mistérios dessa cidade. Daisuke está apoiado no balcão da recepção, que para ele, um idoso pequeno, é alto o suficiente para se apoiar com os cotovelos. Conversando com um recepcionista que não muda a expressão de seu rosto enquanto Daisuke fala.

Shinta vê ele conversando muito com o recepcionista, um sentimento depena atinge Shinta que ele tem vontade de chorar, com um certo pesar Shinta de aproxima de Daisuke enquanto tenta segurar as lágrimas com as mãos.

— Daisuke… Os recepcionistas dos Tohka são todos robôs, ou seja, eles são bots que só falam coisas pontuais.

O silêncio constrangedor que já virou um personagem principal, volta com força total. E Daisuke gagueja depois de alguns segundos para responder:

— M-mas ele me respondeu!

— Responder “olá” é algo padrão de todos os robôs. — Shinta fala enquanto está com expressão de pena e dó do pobre idoso.

Daisuke se afasta com a cabeça abaixada.

— Queremos usar um convite para entrar no prédio.

— Claro senhor, está falando sobre a festa que está acontecendo, certo?

— S-sim claro, a festa. Estamos aqui para ir nela. —Ninguém sabia dessa informação, Shinta trava por meio segundo.

É só mostrar o convite e falar o nome do convidado.

Shinta lembra que o convite ainda está com Vaaz então ele olha para fora,tentando vê-lo. Mas no lugar que ele estava apenas se encontra uma poça de arco-íris. Todo o sangue de Shinta gela, ele esqueceu no meio dessa confusão que Vaaz pode estar fora de controle.

— QtaroKujo. — Shinta pula ao ver que Vaaz está do seu lado, mostrando o convite.

O lolicon mestre pensa que ele falou o nome dele errado para entrarem sem que saibam quem ele é. Rosto de Vaaz está escondido na sombra de sua viseira.

— Agora o ID.

— D-dez?

O queixo de Shinta bate no balcão e seu olho quase sai de seu rosto quando vê o rosto de Vaaz, ele está dormindo em pé, ainda bêbado. Vaaz sente um frio na espinha, com a cagada que acabou de fazer, o choque vem dos pés passando pelo corpo todo até o cérebro como se novamente alguém atirasse uma bigorna em sua cabeça, depois de fazer algo errado Vaaz volta à sobriedade.

Primeiramente, não sei onde estou, tudo está passando em câmera lenta em minha volta, Daisuke está no canto desse lugar chorando compulsivamente, Shinta está do meu lado com cara de que algo deu muito errado e tem claramente um robô na minha frente, só um acéfalo confundiria isso com um humano e tentaria dialogar. A última coisa que eu me lembro é correr para fora do Bar do Aracraud. Devo ter perdido o controle,espero não ter matado ninguém até aqui, mas por que raios Daisuke está chorando e o Shinta está com essa cara? Será que realmente matei alguém? Não é possível,de qualquer jeito tenho que descobrir. Tokiwaugokidasu.

— Seu convite foi usado ele se auto destruirá. — O recepcionista fala enquanto o convite pega fogo em sua mão.

— Vaaz o que foi que você fez? — Ele continua com a mesma expressão no rosto olhando para mim.

— Engraçado que essas são as exatas palavras que eu iria te perguntar!

— Você falou teu nome errado, isso é sem importância, mas no seu ID tu falou, dez.

— Dez? —Eu grito o número aleatório que meu eu bêbado falou.

— Senhor por favor passe pelo detector pessoal para entrar na festa. — Recepcionista aponta para um portal parecendo um detector de metal.

— Eu falei para você não me deixar fazer nada!

— Você acha que um lolicon e um velho iriam conseguir te parar?

Tenho a sensação que minha alma saiu do meu corpo, como raios eu não pensei que isso não daria certo?Talvez por que eu tenha no desespero citado a Leili e o Hijikata-san, ter pensado que teriam como me segurar mas esqueci que estou com essa dupla de doentes.

— Não tem o que fazer, se der errado eu peço outro convite para o Reia. — Falo enquanto ando com medo para o detector.

Um scanner passa desde meu pé até meus olhos. E em uma telinha no detector mostra meu rosto. E uma voz metálica sai do detector.

— Identificação errada, apessoa com o ID “dez” é um garoto chorão que usa luvas que pegam fogo. Tente usar outro convite com o ID certo.

Imediatamente saio do detector enquanto o recepcionista claramente robô fala qualquer coisa para mim.

— Reia, pode me arranjar outro convite? Ocorreu um… — Não consigo segurar o pigarro de nervoso, então o solto— imprevisto com o convite que você me deu.

— Sinto muito Vaaz, mas se eu arranjar outro no mesmo mês, eu posso me sujar com meus contatos.

Eu fico pálido e sem expressão e desligo o celular, vendo minha reação, Shinta no balcão e Daisuke quase se afogando em suas lágrimas ficam com o rosto igual o meu e caminhamos em direção à saída sem fazer som algum, apenas derrotados. Após sair pela porta automática paramos na calçada por alguns segundos.

— Eu só vou para casa, até mais. — Shinta e Daisuke falam em uníssono e levantam a mão, imediatamente dois táxis chegam na calçada os dois entram e disparam para lugares de direções diferentes.

Quando os táxis saem da minha visão, a lua quase se despedindo do céu, minha face de derrota está tampada pela sombra, eu começo a caminhar para qualquer lugar com a cabeça baixa e com as mãos nos bolsos do sobretudo para o frio não me deixar mais derrotado que já estou.